Foto: Enzo Oliveira/MTV
Integrantes da Guarda Civil Municipal (GCM) de Charqueada (SP) formalizaram denúncias contra a administração municipal, alegando um cenário de perseguição institucional, assédio moral e desvio de finalidade na corporação. Os relatos, encaminhados ao Ministério Público (MP) e a órgãos de controle, apontam que a GCM estaria sendo utilizada para fins políticos, incluindo ordens para intimidar e multar desafetos da atual gestão.
Segundo os denunciantes, servidores que se recusam a cumprir determinações consideradas irregulares sofrem retaliações, como mudanças arbitrárias de escalas e a abertura seletiva de Processos Administrativos Disciplinares (PADs). Os guardas afirmam que os processos internos têm sido usados como ferramenta de punição, muitas vezes sem a garantia de amplo direito de defesa.
O clima de tensão tem impactado a saúde dos agentes. De acordo com as denúncias, há um número expressivo de guardas afastados por transtornos psicológicos, como ansiedade, depressão e síndrome de burnout. Os servidores, que pediram anonimato por medo de novas punições, descrevem um clima de medo generalizado na instituição. O caso também chegou à Polícia Civil, onde foram registrados boletins de ocorrência por suposta coação, abuso de autoridade e constrangimento ilegal.
Em nota, o Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Piracicaba e Região manifestou preocupação com os relatos de assédio e pressão psicológica, colocando seu departamento jurídico à disposição para orientar os guardas e acompanhar os casos junto ao MP. Já o Sindeguarda Limeira e Região reforçou que as situações relatadas ocorrem desde o mandato anterior do prefeito Rodrigo Arruda. O sindicato aponta o descumprimento do Estatuto Geral das Guardas Municipais, citando a ausência de corregedoria e ouvidoria independentes, e afirma que o Executivo tem ignorado ofícios sobre o tema.
A reportagem encaminhou questionamentos à Prefeitura de Charqueada sobre as acusações de uso político, o volume de processos administrativos e o número oficial de afastamentos médicos. Até o fechamento desta matéria, a administração municipal não se manifestou oficialmente sobre o teor das acusações. O espaço permanece aberto para futuras manifestações.
Texto e Publicação Danilo Telles/Jornalista | Grupo Metropolitana