Texto: Divulgação
O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) divulgou uma nota detalhada em resposta ao Governo do Estado, contestando os dados de valorização e investimentos apresentados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP). Segundo a entidade, o diálogo tem sido dificultado pela pasta: a última tentativa oficial de reunião, protocolada via ofício em dezembro de 2025, segue sem resposta ou agendamento por parte da secretaria.
No centro da divergência está o cálculo do ganho real dos policiais. O Sindpesp argumenta que, embora o governo cite reajustes, um delegado de classe especial acumulou 19,27% de aumento entre 2023 e 2025. No entanto, o sindicato pontua que a inflação acumulada pelo IPCA no mesmo período foi de aproximadamente 19,5%, o que resultaria na ausência de valorização efetiva e apenas na reposição parcial de perdas inflacionárias.
O sindicato também relembrou o desgaste gerado em 2023, quando a Polícia Civil recebeu índices inferiores aos da Polícia Militar. Como exemplo, citou que o reajuste para delegados (14,27%) foi menos da metade do concedido a capitães da PM (28,79%). A entidade comparou ainda a gestão atual com a anterior, de João Doria, afirmando que, mesmo na pandemia, houve reajuste de 25% e investimentos em equipamentos, como pistolas Glock.
Em termos orçamentários, o Sindpesp aponta uma retração: o orçamento da Segurança Pública, que era de R$ 23,36 bilhões em 2022, caiu para R$ 21,13 bilhões na previsão para 2026.
Sobre as contratações celebradas pelo governo, o Sindpesp apresentou dados via Lei de Acesso à Informação que revelam um cenário de "troca de efetivo" em vez de ampliação. Em 2025, enquanto cerca de 1.900 novos profissionais tomaram posse (entre delegados, escrivães e legistas), a instituição perdeu 1.167 policiais por aposentadorias ou exonerações. O sindicato alerta que, sem novos concursos para 2026, o déficit deve aumentar.
Quanto à Lei Orgânica, o Sindpesp esclareceu que sua participação foi limitada ao envio de sugestões, sem qualquer retorno formal do Palácio dos Bandeirantes sobre o aproveitamento das propostas. A entidade critica a falta de transparência no grupo de trabalho e afirma que as informações apresentadas até agora, em formatos resumidos, não atendem às exigências da Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis.
Texto e Publicação Danilo Telles/Jornalista | Grupo Metropolitana