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HOMEM É CONDENADO A 36 ANOS DE PRISÃO POR ORDENAR EXECUÇÃO EM 'TRIBUNAL DO CRIME' EM PIRACICABA

Publicada em: 04/06/2026 15:35 -

Foto: Arquivo Pessoal

O Tribunal do Júri de Piracicaba (SP) condenou um homem a 36 anos e 4 meses de prisão em regime fechado pelo sequestro, homicídio qualificado e ocultação de cadáver de Edvan Torres da Silva, de 45 anos. O réu foi apontado pelas investigações como o mandante do crime, executado por meio do chamado "tribunal do crime" em janeiro de 2025. No total, cinco pessoas foram formalmente envolvidas na ação, mas apenas o mandante passou por julgamento nesta etapa; os outros quatro acusados ainda passarão pelo crivo do júri popular.

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), assinada pelo promotor Aluisio Antonio Maciel Neto, o crime ocorreu após o réu descobrir o relato de um suposto abuso sexual cometido pela vítima contra a enteada menor de idade. Valendo-se de sua influência no narcotráfico local, o mandante ordenou que Edvan fosse retirado de sua residência, no bairro Bosque dos Lenheiros, e submetido a um julgamento paraestatal conduzido por integrantes de uma facção criminosa.

Após a decisão dos jurados, o promotor Aluisio Maciel declarou que a sentença representa uma resposta à violência imposta por grupos organizados. "A condenação reafirma que não há espaço para a atuação de facções criminosas como estruturas paralelas de poder, especialmente quando se arrogam o direito de decidir sobre a vida e a morte de seres humanos", afirmou.

O caso começou a ser investigado a partir de 25 de janeiro de 2025, data em que Edvan foi visto pela última vez. Segundo os registros policiais, ele foi abordado em sua casa por indivíduos que alegaram que o levariam para um "sumário" — termo utilizado por criminosos para se referir às execuções sumárias. A vítima entrou no veículo e, após ser submetida ao julgamento do grupo, foi assassinada e teve o corpo ocultado.

A investigação foi conduzida pela 3ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (3ª DHPP) da Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic) de Piracicaba, com o suporte do Grupo de Operações Especiais (GOE). Além do mandante agora condenado, as diligências da Polícia Civil resultaram na identificação e prisão de outros três suspeitos — dois homens e uma mulher — enquanto uma quinta integrante do grupo chegou a ficar foragida. Todos os quatro aguardam as respectivas datas de julgamento perante o Tribunal do Júri.

Texto e Publicação Danilo Telles/Jornalista | Grupo Metropolitana

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